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  • Beatriz Arinella Sznajder

Descarbonização como modelo de transição energética eficaz, sustentável e planejada.


Desde a aprovação do Acordo de Paris em 2015, a descarbonização está no horizonte de empresas, governos e da sociedade que visam modernizar sua matriz energética. Contudo, qualquer transição desta magnitude é um desafio e a complexidade aumenta quando constatamos que a demanda por energia cresce a cada ano, motivo pelo qual é fundamental que empresas, governos e todos os agentes sociais estejam engajados.


A despeitos das dificuldades inerentes à transição energética, observamos diversas empresas em linha com o papel crucial que elas têm nessa jornada. Por exemplo, recentemente, a Shell divulgou uma nova estratégia de negócios, chamada Powering Progress, que vem provocando mudanças disruptivas na companhia globalmente, porquanto sua meta é atingir emissões líquidas zero até 2050, impulsionar vidas, entregar valor aos acionistas e, ao mesmo tempo, respeitar a natureza.


Cumpre esclarecer que “emissões líquidas zero” refere-se às emissões geradas não apenas na linha de produção da Shell, que responde por cerca de 15% do total emitido, mas também o carbono gerado pelo consumidor final decorrente do consumo dos produtos da companhia, que representa cerca de 85% das emissões. Para tanto, a Shell planja reduzir progressivamente a intensidade de carbono dos seus produtos de energia (6 a 8% até 2023, 20% até 2030, 45% até 2035 e 100% até 2050, em comparação com os níveis de 2016), valendo-se de energia limpa por meio de investimentos em fontes Nature-Base Solution (NBS).


O exemplo da Shell indica que a diversificação da base energética, com a realocação progressiva de investimentos dos negócios de Upstream para energia renovável, pode ser o caminho mais adequado e sustentável de endereçar o desafio à transição energética.

A despeito do bom exemplo, consideramos que somente a iniciativa das empresas não é suficiente para assegurar à descarbonização, na medida em que o êxito depende de políticas e regulamentos governamentais ousados, claros e consistentes, e uma maior colaboração entre governos, empresas e sociedade.


Os desafios são grandes, mas o encontro do carbono neutro com o capital é também uma avenida de oportunidades para o Brasil.

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